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Desde o início da década de Setenta, Malouh e Odilon Cavalcanti se envolvem, quer criando, planejando, quer executando, em Projetos e Iniciativas de Responsabilidade Social. Sempre com centralidade em arte. Às vezes esse exercício de cidadania se inseria voluntariamente, as vezes profissionalmente, mas foram muitas as vezes em que o caráter participativo do casal os levou à militância no desenvolvimento humano: Arte na Rua em Cachoeira Paulista, 1971, Encontro Brasileiro de Biodança em 1979, em Fortaleza, Escolinha da Vida e Metodologia Paulo Freire, 1980, também em Fortaleza.
Em 1984/1985, ambos ajudam a criar e implantar o avançadíssimo Plano de Ação Social das Empresas Belauto, em Belém, Pa e como voluntários na Casa do Zezinho, no Jardim Ângela, em São Paulo. Isso, sem falar em outros Projetos eminentemente culturais como o Pernambuco Estética de Resistência, em 1993 e a editoração gráfica do livro Brasil Bom de Bola em 1998, (este com renda destinada à Ong Ex Cola).
 Marca criada para o Projeto Brasil Bom de Bola
Além de outros como o desenvolvido por Malouh na Iasa, recuperando a história da industria da família Brennand e o que casal criou e realizou para aolescentes filhos de "pied-noirs" em Marselha, França, no âmbito do Projeto Hor´s Là, que promovia intercâmbio Cultural entre artistas brasileiros e franceses, duarante a comemoração dos 500 anos do descoberta das américas em 1992. Uma experiência Internacional, importante da dupla.
Durante pouco mais de quatro anos, de agosto de 2000 à novembro de 2004, Odilon Cavalcanti criou com Malouh o sistema, e executou a metodologia, a formação continuada e o processo de replicação e sistematização, além de assinar a Curadoria do, então, Projeto Asa.
A velocidade com que este Projeto se consolidou, cresceu e ocupou seu espaço tanto no mundo das artes, (em menos de seis meses de atividade já tinha inserido sua segunda unidade na Funarte S. Paulo e dentro de mais 8 meses inaugurava a terceira dentro da Bienal de São Paulo, como atividade importante do Núcleo Educativo da Bienal) da educação, bem como nos universos da inclusão social (no fim do ano seguinte, o Projeto leva 10 jovens para uma semana de vivência em galerias e museus de arte contemporânea londrinos, como prêmio oferecido pela Britsh Airlines) e inclusão digital, (foram milhares os jovens que se incluíram digitalmente através do Projeto). Isto demonstra, claramente, o sucesso da filosofia e das estratégias adotadas pela equipe capitaneada por Odilon no Asa.
Entretanto, para Malouh e Odilon Cavalcanti, estes resultados, apesar de sua expressividade, pareciam ainda insuficientes e, à longo prazo, sabiam incerto o exercício das dinâmicas sociais de desenvolvimento com base no financiamento empresarial, que mantêm a ótica do "benefício", ainda que operando com recursos subsidiados por leis de renúncia fiscal, quando correm o risco de perder o foco ao procurar atender seus próprios interesses institucionais e ou negociais.
O espaço da experienciação de novos paradigmas de relacionamento humano, tendem, nestes casos, a perder espaço, quando relações institucionais tradicionais, de dependência econômica, aí se inserem.
 Esta experiência, acrescida de uma outra, vivida num grande e muito pobre município na foz do Rio Amazonas, (o 4.532º IDH do país) a 24 horas de barco de Belém do Pará, ainda na área de criação e desenvolvimento de projetos de responsabilidade social, tão curta como extremamente forte e esclarecedora, também, dessa vez, para uma grande empresa nacional de economia mista, lhes mostrou o tamanho amazônico do problema de quem quer fazer Projeto Social no Brasil com seriedade: conjugar num só processo, num percurso educativo que, necessariamente tem que estar fundamentado em verdades antropológicas, independência com sustentabilidade, cultura com empreendedorismo, educação com saúde, protagonismo juvenil com cidadania, oportunidades com habilitação profissional, solidariedade e transparência, relacionamento familiar e desenvolvimento humano e todas as outras combinações possíveis destes binômios além de outros que possam surgir de reflexões mais profundas, que aqui caberiam.
O Terra da Paz nasceu para preencher este ideal.
Em desenvolvimento desde abril 2005 e em execução, em caráter laboratorial, desde fevereiro de 2006, pelo Atelier Odilon Cavalcanti e a ORM Organização e Arte, o Projeto Terra da Paz, é um contagiante e multiplicador processo de florescimento de uma experiência coletiva, com foco em adolescentes como canal de envolvimento da família e da comunidade no processo de inclusão, tem, como características, a utilização da Arte Cerâmica como caminho de resiliência antropológica e motivacional, que objetiva, através da inclusão do resultado de seu trabalho no espaço público, a criação de fluxos e refluxos de valores, princípios e conceitos de construção de relacionamentos.
Calcados processos sociais onde conflitos possam ser tratados e resolvidos de maneira não-violenta: em suma, desenvolvimento de tecnologias de construção de uma Educação para a Paz.
 Escultura "Pegasus", oferecida como suporte para a pintura dos jovens do Asa Bienal (25 Bienal de São Paulo, 23 de março à 02 de junho de 2002), fotografada por Malouh Cavalcanti na exposição do asa de 2003, no Centro Cultural Brasil estados Unidos (São Paulo). |